Jimmy

>Lindo

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>Saiu de casa convencido que seria naquela noite. E então foi. Vestindo a melhor roupa e com aquele perfume que ainda não lhe dava sorte. Mas enfim acreditou. Seria.

Perdeu-se entre as luzes e sabores amargos ou apimentados ou doces com um finalzinho seco. E achou-se como aqueles outros perdidos. Todos acreditando. Nenhum pronto para o que queria. As mãos passando por ele, agarrando-o, chamando-o para um encontro inconseqüente e apressado. Ele resistente, porque iria encontrar e sentir quando encontrasse. Tinha certeza.

Foi quando pensou de repente “Eu nunca toquei alguém”. É claro que trepar não era a mesma coisa. A porra era doce, mas os beijos não. E o toque não era. Simplesmente não era. Podia ser qualquer outra coisa. Mas o que era mesmo tocar? Talvez fosse só passar a mão, mas isso ele já sabia fazer.

Alguém o tocou. Não era o que ele conhecia. Era de outra forma. Havia algo naquele toque. Virou-se e conheceu o rosto. Lindo. Tão sereno e tranqüilo que o assustou que aquele também não tivesse pressa nos olhos, como ele. Porque ele era assim: colhia o dia sozinho, levava pra casa e comia. E o outro dia seria outra colheita. Sem plantar porque o tempo era sempre longo e infinito.

Alguém me tocou e não foi ele. Mas ele foi tocado por alguém. Pela primeira vez do outro lado, esperando uma atitude. E ela não veio e ele entendeu. Era tudo diferente. Tinha um brilho nos olhos e até o abraço era doce. E algo estranho revirava ele por dentro. Mais do que porra, ele tinha sonhos nas mãos.

Com tantas coisas para viver e serem vividas, ele agora estava ali sentado e perdido, mas encontrando. Talvez o que esperava. E a música era bonita e ele não ia esquecer. Porque era a primeira mesmo sendo a centésima. E sem beijos foram falando de si, sem beijos foram vivendo a vida um do outro pelas palavras e os beijos começaram. Eram doces como pensava. Talvez esquecesse que queria também a porra, o pau duro, a bunda lisinha, o mamilo e todo o resto. Porque o sabor era melhor. E aquela podia ser a primeira.

Aconteceu de novo. Beijos e mais beijos que se encontravam com as palavras em dias que nada lembravam um ao outro. E as mãos iam até a mesma direção. E provou a porra, que era doce como os beijos.

Foi então que os dois se estranharam, porque achavam que nada mais podia ser. A aventura, que não era pra ser aventura, devia terminar. Por que acabou. Os beijos eram menos doces que a porra. E a vida voltava a ser chata e estranhamente repetida. Porque aquela não era a primeira, mas a centésima primeira. Assim qualquer um podia se confundir.

Mas ainda assim era lindo. Porque era a vida imperfeita tentando acertar com quem sempre errava. Sem pedir licença ou desculpas. Como sempre faz.

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