Jimmy

>novela teen

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>em julho, quando eu ainda estava de cadeira de rodas, conheci um menino muito interessante em uma livraria. ele simplesmente se aproximou de mim e começou a conversar. lembro que ele estava mancando porque tinha feito uma cirurgia no joelho há pouco. era lindo e tinha um sotaque engraçado. chamava-se Andrew e tinha vindo da Austrália passar o semestre no Brasil, onde tem parentes.

lindo e de atitude. trocamos telefones, ficamos de nos ligar. até então não tinhamos dito nada muito comprometedor. liguei para ele uma vez, mas não chegamos a propor uma saída. eu mal podia sair na época, então desanimei. tudo bem, ele seria só mais um problema em potencial do qual eu me livraria. afinal, eu não posso me interessar por meninos assim, que eles sempre conseguem me deixar pra baixo. com a cara de mais bonzinho do mundo e dizendo que me adoram, mas não são gays. ou até são, mas a gente não tem nada a ver. ele provavelmente seria mais um desses. e ele ia embora, e eu não estava podendo fazer nada, e a situação toda era um cú.

mas hoje, dia da parada gay, eu cismei que iria. mancando, mas iria. ficaria sentado em algum lugar por lá e veria os trios e as pessoas passarem. no início da tarde fui ao shopping com a Jully comprar uma coisa que eu precisava antes de irmos, e quando já estávamos na saída, quase pegando o taxi, o Andrew se materializa na nossa frente.

– Andrew! – falei surpreso
– Jimmy! Nossa, você está bem. – ele disse, também surpreso, de me ver de pé.

ele viu a cicatriz no meu joelho e comentou “It’s cool”. só ele acha cicatrizes uma coisa “Cool” pelo jeito. tudo bem, that’s not the point. o negócio é que, todo mundo nesta cidade sabia da parada gay, e como ele estava ali solto e sozinho, resolvi perguntar o que ele iria fazer hoje.

– Hoje? Er,..Eu não vou fazer nada…Vou andar pelo shopping, não sei. E você?
– Eu vou na praia, dar uma olhada no que vai rolar.
– Eu to ligado. – ele respondeu, com cara de quem sabia mesmo o que ia rolar.
– Tá bom, Andrew. Tenho que ir agora, a gente se vê.
– CLaro. See you.

comentei com a Jully no carro que achei estranho esse “Não vou fazer nada”. pra mim tinha algo ali. achei que ele iria para a parada, mas achei estranho que ele não admitiu depois que eu disse que ia pra lá. okay then.

fomos até a Av Boa viagem, de frente para a praia, onde foi a parada. sentamos na pracinha onde seria o encerramento e não deu 5 minutos, vi um garoto andando sozinho e olhando em volta, como se procurasse alguém.

– Andrew! – gritei por ele.
– Hey, você trocou de roupa?
– Passei em casa antes. E você, veio sozinho?
– Umhum.

ele ficou ali um tempo calado, olhando em volta, meio que tentando sentir como estava o ambiente.

– Que horas você vai embora, Jimmy?
-Acho que às 06.
-E depois, o que você vai fazer?
-Ainda não pensei, Andrew.
-Então eu acho que vou caminhando.

e aí ele foi. mas para mim o episódio de hoje significou algo. não que eu não desconfiasse dele antes, claro.

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