Jimmy

>quem ele é

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>eram 09 e meia da manhã quando saí de casa para ir à Universidade. eu estava sem o mínimo saco de ir para a aula das 11 da manhã, mas resolvi ir. ultimamente a rua tem sido o meu refúgio. a convivência em casa está pacífica, mas, para mim, difícil.

assim que cheguei fiquei dando um tempo em uma área cheia de árvores que tem no prédio onde estudo. fiquei ouvindo umas músicas que me fizeram recordar outras épocas. quando percebi eu estava chorando. por tudo que eu perdi, pelo tanto que mudei, pelas pessoas que mudaram, pela vida que eu tenho hoje depois de tudo. eu sabia que não ia conseguir mais assistir à aula alguma.

fui até a frente do prédio, levar um vento na cara e tentar mudar um pouco de humor. e foi então que apareceu ele (para saber da historia completa consulte este e este post). tinha um professor conversando com ele. os dois andaram um pouco juntos e depois se separaram. ele foi andando em direção à parada de ônibus. porra, ele ia embora. o que eu poderia fazer? será que valeria a pena ir atrás?

resolvi que iria até lá ver o que rolava. se ele não falasse comigo e fosse embora, tudo bem: eu poderia voltar e ir assistir à minha aula do mesmo jeito. mas se eu não fosse eu estaria desperdiçando uma chance que eu queria há dias.

na parada de ônibus ele estava sozinho e com o olhar tranquilo. eu encontrei um amigo que subiu num ônibus pouco tempo depois. foi neste momento que me aproximei dele e ele me perguntou:

– E aí, já ta indo para casa também?

como alguém me disse esta semana, este é o tipo de pergunta que alguém faz a outra pessoa somente para puxar conversa, porque a resposta é quase óbvia. i couldn’t agree more.

– É, já estou indo sim. Você estuda o que aqui? – perguntei.
– Biblioteconomia. Você estuda Letras, né?
– Sim.
– E ai, tá gostando do curso?
– Não.
– Por quê?
– Porque não é isso que eu quero fazer pelo resto da vida. Bom, é uma longa história.

fomos conversando no ônibus. contei a ele sobre o meu acidente, o que ele tinha causado entre outras coisas. ele apenas ouvia. depois começou a falar sobre ele também.

ele tem dez anos a mais que eu e se chama Rony. é formado em outro curso pela mesma Universidade, mas decidiu estudar outra coisa, mudar de carreira. é uma pessoa de voz calma e parece ainda ter muito para contar. eu o perguntei por que ele havia decidido começar a falar comigo pela faculdade sem me conhecer e ele respondeu que às vezes faz isso com as pessoas por aí, acha que as pessoas às vezes não conhecem umas às outras por causa desta besteira de não terem um link entre si.

fomos descobrindo coisas em comum durante a conversa, mas nenhum de nós falou sobre sexualidade ou vida afetiva. talvez por ter sido o nosso primeiro contato. talvez porque nenhum dos dois quis entregar qualquer coisa. ele não imagina que eu só peguei o ônibus por causa dele hoje, assim como eu não sei o que ele realmente pensa sobre mim e por que, entre tantas pessoas, ele resolveu tentar me conhecer.

quem sabe essas coisas ficam mais claras em alguns dias. ao menos hoje eu redescobri que ainda vale tentar escrever a própria história.

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