Jimmy

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>Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

são quase oito da noite, estou desde as duas da tarde viajando e não tenho idéia da hora que vamos chegar lá. Eu adoraria estar voando para Londres, onde eu poderia beber vódega até o amanhecer em algum nightclub alternativo, mas estou indo para Aracajú e como hoje é quinta e vou chegar lá muito tarde, é bem possível que tudo na cidade esteja fechado. O jeito vai ser dormir ou tentar fazer a internet 3G pegar ou pagar para usar o wireless do hotel, já que possuo muitos reais desde que o depósito absurdo que eu fiz dias atrás para a compensação de um cheque continua intacto e o cheque voltou por causa de dez reais. Eu deveria dar tapas na cara e me achar um idiota, porque nem lembro como foi que usei os dez reais, mas filha da puta mesmo é o banco que não me empresta dez reais só para o cheque não bater e voltar e eu ter que pagar a quantia com juros horrendos quando alguém me ligar cobrando. Porque é assim que funciona o mundo dos bancos: se você ganhar 45 milhões na megasena ninguém te liga para você ir buscar o prêmio, mas gerente de banco já me ligou para reclamar de R$1,50 negativos na minha conta corrente. HUM REAL E CINQUENTA CENTAVOS, reflitam.

Eu estou inquieto nesse banco de ônibus hiperconfortável. Tudo bem que se eu fosse de avião eu ficaria pior, mas não daria tempo de ficar inqueto porque convenhamos, pegar um vôo Recife-Aracaju é no mínimo engraçado “Senhor taxista, vamos depressa porque não posso perder o vôo para Aracaju”. O tempo de check-in e o que se gasta esperando a mala na esteira deve ser maior do que o que se passa no ar. Porque Aracajú é logo ali, mas parece que não vai chegar nunca.

Eu já morei em Aracaju. Eu era criança e estava começando a estudar. Lembro que minha mãe me fez ficar curioso com o o que era a escola. Eu jurava que iria adorar estudar, porque foi o que minha mãe me disse. “A escola é muito legal”, eu acreditei.

No primeiro dia de aula meu irmão chorou porque queria ir comigo e eu estava super feliz arrastando a minha mochilinha pela calçada. Quando chegamos, senti o cheiro forte de lápis de cera e me apresentaram a professora. Um bando de meninos e meninas choravam e eu não entendia por que. Vi um monte de desenhos pendurados ao redor da sala e decidi que aquele lugar era mesmo legal. Virei para a minha mãe e disse:

– Pode ir pra casa, mãe.
– Tem certeza? Não quer que eu fique um pouco?
– Não. Criança tem que ficar sozinha na escola, né?
– É…
– Então pode ir.

Essa é a lembrança mais marcante que tenho de Aracaju. Cheguei a voltar lá quando tinha quase dez anos e os bares da praia tocavam musicas da novela Tropicaliente, mesmo ela tendo sido gravada em Fortaleza. Achei a cidade meio nadaver, mas eu também era nadaver porque penteava o meu cabelo para trás e adorava as músicas de Tropicaliente. Aracaju pode ser legal. Tudo bem que Recife é mais desenvolvido e eu acho atrasado porque as pessoas param para olhar o meu cabelo, mas eu estou com a mente aberta para reconhecer a cidade, mesmo que tudo o que eu lembre dela seja somente o que eu vivi.

posted by Jimmy @ 19:45

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Un pensamiento en “

  1. >Esse diálogo 'primeiro dia de aula' me lembrou o meu primeiro dia na escola, haha. Passei semanas ensaiando com a lancheira roxa da turma da Mônica e no dia mandei minha mãe embora de lá. =PPassei uma vez só por Aracaju, quando estava voltando da Bahia, e a única lembrança que eu tenho é da comida péssima de um posto de gasolina… Tudo nadando em óleo. :S

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