Jimmy

Deja un comentario

>

Bom, são dez da noite e eu já estou exausto. Passei o dia dando aulas, corrigindo trabalhos e limpando o meu nariz. Odeio ter gripe e querer bancar o super homem. Eu poderia me aproveitar muito bem de uma doença agora e me entregar à depressão logo de vez. Mas eu tento resistir porque no fundo eu sei que isso tudo é passageiro.

Estava há pouco com o Matheus e comentei algo curioso com ele. Logo quando saí do armário eu não tinha amigos gays e tive que ir buscá-los no mundo gay. Mas esses amigos que fiz eram só pessoas com quem eu gostava de estar e que me divertiam. Nunca fomos amigos de fato. As pessoas que eu amava e confiava eram o Matheus, a Jully e tantos outros que na época, eu achava, não se pareciam tanto comigo. Alguns anos depois, numa mesa do Subway, eu chego à conclusão que uma das coisas que eu mais queria na vida era ter amigos de verdade que fossem como eu e hoje não posso reclamar porque continuo com os amigos de sempre ao meu lado, mas sabendo que temos a homossexualidade em comum. Parece um detalhe. Eu sempre pensei na minha sexualidade como mais uma das minhas características. Mas ela faz uma diferença enorme quando você se sente sozinho, achando que é único no mundo e que ninguém vai conseguir entender como você se sente.

Eu sempre tive consciência que não posso reclamar dos amigos que tenho. Sei muito bem que muita gente nunca terá pessoas como eles ao lado. Por isso mesmo, talvez, eu não me alegre quando alguém diz que gostaria ser meu amigo. Principalmente se conheci esse alguém com outra intenção em mente.

Estou falando isso porque o Lucas – o garoto que na semana passada me chamou para uma festa visando ficar com o Matheus – me viu na sexta e eu percebi que ele queria conversar sobre o assunto. Ele na verdade me escreveu durante a semana dizendo que me “admira muito e não quer perder a amizade”. Nunca tivemos amizade, disse a ele. Mas ele insistiu que mesmo assim não queria perde-la.

Ah, sei lá, eu preciso de amigos? Eu preciso de outros amigos? Não agora, não aqui, não ele. Foi meio estranho e desconfortável tentar falar com ele como se nada tivesse acontecido e tentar ser legal quando no fundo eu não queria ser. No fundo eu não queria sequer olhar para ele. Senti que fui usado. Não entendo qual é a dessas pessoas que se aproximam sinalizando interesse para depois mudar o discurso bruscamente. Ao menos eu consegui descobrir que ele nunca me quis. Eu percebi que só servi como uma escada para ele chegar em quem ele realmente queria, mas não teve coragem. Ele poderia ter dito isso antes. Ele poderia ter me poupado. Meus amigos dizem que eu não deveria me importar com ele, mas se eu não vou ligar para o único cara que parecia interessado em mim depois de meses me sentindo invisível, com quem eu deveria me importar?

Anuncios

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión / Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión / Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión / Cambiar )

Google+ photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google+. Cerrar sesión / Cambiar )

Conectando a %s