Jimmy

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Horas depois de dar um susto em todo mundo no Twitter dizendo que tinha fugido para viver em São Paulo e largado minha casa, meu emprego e meus amigos, o meu ônibus chegou na rodoviária de Maceió. Todas as rodoviárias do mundo são uó e cobram para você usar o banheiro, mas eu realmente precisava me olhar no espelho depois de cinco horas tentando dormir, mas não conseguindo mesmo tendo duas poltronas reclináveis e muitíssimo confortáveis só para mim.

De lá peguei um táxi até o albergue. Eu havia feito uma reserva, mas não havia depositado metade do total das diárias para segurar o quarto, então sabia que quando chegasse poderia haver a tensão de não ter quarto nenhum para eu dormir e eu ter que rodar por uma cidade desconhecida atrás de qualquer lugar que eu pudesse pagar. Enquanto o táxi passava pela belíssima orla de Pajuçara, entrei no Twitter pelo celular para dizer a todo mundo que a história de São Paulo era pegadinha do Mallandro. A aquela hora eu já tinha recebido vários replies e DMs dos meus amigos super preocupados, mas super me apoiando e dizendo palavras de carinho, o que foi muito legal. Mas né, infelizmente a minha fuga foi somente um break de alguns dias da minha entediante vida.

No albergue consegui o meu quarto individual que tem um ar condicionado congelante, um edredom gostoso e uma TV com milhões de canais. Adoro ver CNN en espanõl e FOX Life quando estou nele. Isso sem falar que posso dormir totalmente pelado, o que é um alívio. Porque isso não posso fazer na minha casa porque meus pais não tem classe e entram no meu quarto sem bater, me acordam quando querem encher meu saco e seriam capazes de fazer escândalo se soubessem que eu dormi nu.

Quando eu estava no táxi ainda pensei em ficar num quarto coletivo. Nunca fiquei em quarto coletivo em albergue, mas acho que deve ser interessantíssimo. Deve rolar toda uma vibe Big Brother de intrigas, amizade e pegação. Um dos objetivos que eu tinha vindo para uma cidade onde sou um João ninguém era justamente conhecer gente nova e essa seria uma boa oportunidade, por que não? Fora que eu ainda economizaria um dinheiro do cacete.

Mas o bom senso falou mais alto e eu desisti da idéia. Que bom porque aqui só tem gente uó. Digo isso porque conferi. Rola uma sala de convivência (único lugar com wifi, logo freqüento bastante) e eu só vi gente muito mais velha que eu e sem dar sinal de ser interessante, gente simpática mas mala e uns cafuçus de uma empresa aí que estão aqui há quase um mês trabalhando não sei em quê. Eu não sei como seria ter que dividir um quarto com essas pessoas, então obrigado Senhor por eu ter um pouco mais de dinheiro e poder ficar sozinho.

Um dos objetivos dessa viagem também era ficar sozinho. Apesar de isso parecer ruim, estou achando ótimo. Ontem fui comer sushi num restaurante maravilhoso sozinho, hoje fui andar pela praia sozinho, comprei souvenires e almocei em uma churrascaria decadente na beira mar.

A cidade é muito linda, mas muito calma. Isso não é ruim também porque eu não vim aqui viver no Ke$ha lifestyle. Ao menos não por enquanto. Hoje a minha programação consiste em:

1. Ir conhecer o shopping que era Iguatemi e agora chama-se Maceió Shopping.

2. Encher a cara no meu quarto com a garrafa de vodka que surrupiei dos meus amigues em Recife.

3. Pegar um táxi e descer na boate Havana que dizem ser o babado aqui de Maceió. Até a moça legal que trabalha aqui sacou a minha pinta e indicou.

Talvez aí eu vire um party monster em Maceió. Isso se eu conhecer gente nessa buatchy, mas pode ser difícil porque a coisa que sempre me ajuda a fazer amizades é o meu cabelo e aqui temo que isso possa não funcionar. Apesar de estarmos no Nordeste, as pessoas aqui não ficam me encarando e apontando e nem vem perguntar “que doidice é essa?” só porque meu cabelo é fashionable. Em Recife isso acontece. Em Aracaju ano passado aconteceu muito. Em Caruaru nem se fala. Os únicos lugares onde isso não aconteceu foram São Paulo e Rio, mas nessas cidades pode descer um extra-terrestre pela nave da Xuxa que ninguém tá nem aí, então não conta.

Anyways, se tem uma coisa que essa viagem está fazendo é me deixando mais descansado. Já dormi muito por aqui. E dormir sabendo que seu sono nunca será interrompido é maravilhosamente indescritível.

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