Jimmy

Mark Winterbourne

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não faz muito tempo que googlei Mark Winterbourne. só sei dele pelo google porque depois do ABBA os ídolos suecos nunca mais fizeram sucesso em qualquer outro país.  ultimamente uma de suas canções entrou na trilha sonora da minha vida. porque eu sou assim: escolho uma música cuja letra case exatamente com o que eu estiver vivendo e coloco no repeat até sair daquela fase. o engraçado é que essa música já embalou as minhas cenas de solidão duas vezes: em 2002, quando ela foi lançada, e agora. em 2002 eu nem falava Inglês. entrava no site de Mark para ver as suas fotos e os vídeos do talk show que ele apresentava, mesmo sem entender nada. somente vê-lo me fazia bem.

ele não tinha nada a ver comigo. era bonito, famoso, descolado. eu sempre fui muito sem graça. não tenho roupas modernosas e nem aqueles cabelos milimetricamente despenteados. sou magrelo e baixinho, branco como uma lesma. além disso eu nunca soube dançar como Mark, que fazia Michael Jackson parecer um robô totalmente programado.

foda também eram as letras das músicas. eu nunca entendia nada, mas quando eu o via cantar sabia o que ele estava dizendo. baixava a tradução na internet e eu sempre estava certo. nisso ele era igual a mim. sofria igualzinho. não era possível, porque ele sempre teve tudo o que eu não tenho. aquele sorriso tinha que ser de alguém. aquela solidão era fabricada, todos diziam. tê-lo era o sonho de muita gente. era difícil acreditar que naquela multidão ele não encontrava o que eu nunca via acontecendo para mim.

então eu googlei seu nome e vi: Mark Winterbourne commits suicide. hoje eu entendo, se matou. então as letras não mentiam. mas por que ninguém disse a ele o que ele precisava ouvir? por que deixaram ele se afogar no silêncio, como se aquilo fosse natural? talvez ninguém acreditasse nele. analisando bem, seus olhos são tristes. guardavam uma angustia que hoje todo mundo conhece. às vezes eu acho que só eu sabia que Mark precisava de mais do que aplausos. mas era só isso que ele tinha e eram justamente eles que o impediam de ter aquilo que ele sentia mais falta.

Mark se matou. deletei suas músicas do iPod e nunca mais olhei nos olhos dos meus ídolos. é melhor parar de procurar alguém no mundo que sinta as mesmas coisas que eu. mesmo que ele nunca descubra nossas semelhanças. e mesmo que essas semelhanças talvez sejam exatamente o que ele precise para viver.

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