Jimmy

O próximo

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Quando a tristeza vai embora, o que fazer com as lembranças? Releio aquelas cartas no fundo da gaveta e percebo que ali ainda há muito de mim. Não sinto saudade e nem fico mal. Acho que o nome certo para o que eu sinto é melancolia. E tem um pouco de confusão também. Não tenho vontade de jogar nada fora. Mas ao mesmo tempo, lembrar é estranho. Não dói, mas não é bom.

O que fazer com as memórias, com as palavras e com todos aqueles sonhos que a vida me negou? Tudo passou e eu aceito. Mas havia um certo conforto na tristeza. Eu sabia que demoraria para que ela fosse embora e eu não teria que pensar no próximo passo. Hoje estou livre, mas preso na incerteza.

Talvez amanhã eu volte a conversar com alguém que não vejo há anos e comece uma nova história. Talvez passe uma década até que eu encontre alguém que me deixe seguro para me entregar de novo. Pode ser que eu jamais ame outra pessoa, mesmo que ela veja o que eu queria que ele tivesse visto. Algum dia essa necessidade do outro pode se esvair, assim como foi com tudo o que me fazia chorar pelo que já acabou. De tanto doer, repentinamente passou a não fazer mais diferença. Como ultrassom: é tão alto que a gente não escuta.

Jamais gostaria de sofrer tudo outra vez, mas sinto falta da certeza do dia seguinte. Eu sabia que nada ia mudar. Agora eu sei que pode, mas não tenho qualquer garantia. Só posso tentar ter fé, como quando recebi aquelas cartas que hoje são parte de uma vida que nunca vou ter.

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