Jimmy

5 minutos

2 comentarios

Detesto trabalhar com gente mais velha, porque qualquer coisa vira uma boa desculpa para me mandarem fazer o que ninguém quer. Desta vez foi “Mas eu ainda não sei dar baixa na ficha de um paciente no computador”. Beleza meu senhor, esses anos todos e o senhor não aprendeu. Tudo bem, eu posso ir lá atender o cara que acabou de chegar. É pra isso que eu to aqui.

Ao ver quem era o paciente, primeiro achei que ele me conhecia de algum lugar. Ele fez uma cara de quem estava vendo um conhecido e não um estranho, mas isso realmente não importava. Começamos a conversar e o problema dele era bem simples. Somente uma gripe mais forte. Causava um desconforto grande, algumas dores no corpo, mas não era nada sério.

Eu não tinha reparado se ele era bonito ou não, mas gostei da voz dele. Tinha a mesma idade que eu e era amável, sorridente. Isso sempre me atraiu. Ele era um paciente de emergência, a probabilidade de eu vê-lo outra vez era quase nula, mas ele me deixou nervoso e acho que não consegui esconder. Geralmente quando gosto de algum paciente desses eu olho no olho e uso o meu carisma para ver o que acontece, mas desta vez foi impossível. Evitei olhar diretamente pra ele e fui simpático, mas nada que fizesse ele lembrar depois. Na hora de examiná-lo com o estetoscópio, ao invés de tocá-lo carinhosamente com muito respeito, sobrou só o respeito. E nem aquele olhar fulminante que eu geralmente uso nessa hora conseguiu aparecer. Eu me apaguei.

Não esqueci o seu nome na ficha: Juliano Miranda. Corri pro Facebook. Queria saber se aquele cara que eu conheci era tão doce e sensível quanto ele parecia ser durante a consulta. Eu sei que em cinco minutos não dá para saber como é realmente uma pessoa, mas não é isso que a gente faz? Levei um choque. Juliano era modelo. E nem parecia ser um modelete de Facebook qualquer, tinha aura de supermodel. Suas fotos eram profissionais, o seu rosto e corpo eram perfeitos. Não percebi nada disso no rapaz sensível que atendi. Ele parecia tão simples. Não havia aquelas caras de dono do mundo, nem aquele corte de cabelo que era obviamente caríssimo e a pele sem defeito algum. E essa beleza toda me repele. Se eu tivesse percebido que ele era tão galã, tenho certeza que não teria ficado tão impressionado com ele. A versão virtual dele parecia bem melhor do que a real para todo mundo, menos para mim. Eu gostei do menino de voz doce. Esse outro está muito distante de mim.

Eu nunca vou saber qual dos dois Julianos é de verdade. Mas em 5 minutos me apaixonei por um deles. Ou quem sabe pelos dois.

Juliano Miranda

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2 pensamientos en “5 minutos

  1. Não conhecia aqui, mas adorei o texto! Adoro ler, mas é bem raro eu deixar comentários em redes assim mas não resisti! Parabéns! Tanto a narrativa quanto a essência, muito bons.

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