Jimmy

Quer casar comigo?

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Aos 25 anos, cheguei à conclusão que nunca vou ouvir (ou fazer) esta pergunta na vida. Você que é mais velho pode achar que estou me precipitando ao pensar assim, mas a questão não tem a ver com pressa. Nunca serei pedido em casamento porque ninguém quer casar.

Você sabe como os seus pais se conheceram? Eu me importei em perguntar e tive o meu How I met your mother particular: meu pai divorciado e a minha mãe solteira sentaram lado a lado em uma viagem de ônibus interestadual. Deste dia até o momento em que eles disseram o ‘sim’ passaram-se anos, com muitos percalços no caminho. Eles estão juntos até hoje, há mais de 25 anos. Às vezes eu me pergunto se um dia vou ter uma história dessas para contar. Tá bom, era outra época. Não existia a liberdade que existe hoje em romper padrões ou ter mais escolhas. Minha mãe foi criada para ser dona de casa e meu pai para ser o marido provedor. Pode-se argumentar que só estavam cumprindo seus papéis.

Então, vou dar um exemplo mais recente. Uma amiga conheceu um cara no trabalho. Começaram a namorar e em uma viagem ele a pediu em casamento. Nenhum dos dois tem sequer 30 anos, e sabem se divertir ao mesmo tempo que são pessoas com suas carreiras e objetivos. No casamento deles eu estava tão feliz, mas ao mesmo tempo meio triste. Sei que nunca vou viver algo assim.

Faço parte da geração Tinder. As pessoas não tão nem aí para quem elas conhecem na vida, porque o legal é ficar no celular marcando quem queremos pegar ou não, com um coração ou um xis. O critério? Somente uma boa foto. Pior ainda, sou da geração Grindr, o aplicativo gay que deu início ao menu virtual de pessoas. E se já não era muito comum um homem gay querer uma relação duradoura, agora é que qualquer possibilidade foi pra puta que pariu – ou pro motel mais próximo.

Sempre relutei em usar esses aplicativos. Mas acabo de mudar para outro país e não conheço quase ninguém. Na espera para que saia meu visto de trabalho, comecei a ver o que poderia ganhar da experiência de procurar ali alguém legal.  Não demorou muito e eu descobri que: no primeiro encontro (ou antes dele) vão te chamar pra transar, mesmo que digam que não querem só sexo. Se isso não acontecer é porque o cara não te curtiu e ele vai sumir do Whatsapp. A ideia de relacionamento é distante e dela todos fogem. Sugerir sair para tomar um café é bobo, conversar é uma chatice, cinema nem pensar.

Meus amigos dizem que estou procurando no lugar errado, mas eu já tentei procurar no lugar certo. A noite é somente uma versão mais hipócrita de um aplicativo desses, no trabalho nunca dei sorte e as coincidências não tem estado ao meu lado. E mesmo que estivessem, eu me pergunto o grau de seriedade que eu poderia encontrar num relacionamento hoje.

Hoje em dia é assim: amar é coisa de otário, querer casar é sucumbir à heteronormatividade e assumir-se como monogâmico é uma afronta à identidade gay.

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