Jimmy

Uma banana pro seu ativismo

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No bairro de Miraflores, onde eu moro em Lima, existe uma placa em todos os estabelecimentos comerciais que diz:

“De acordo com a lei nº X, é proibido em Miraflores qualquer tipo de discriminação”.

Um dia estava com dois amigos justamente em frente a essa placa, quando um deles disse “Não entendo por que essas placas existem”. Eu prontamente respondi “Elas existem para que as pessoas que são preconceituosas fiquem quietas e respeitem todo mundo. Eu me sinto amparado pela lei com ela” no que ele disse “Mas você não é uma pessoa discriminável”. Eu gargalhei “Amigo, sou negro, gay e estrangeiro. É óbvio que sou discriminável”.

Sou discriminável, mas tirando um ou outro amigo evangélico anti-gay na época da escola, nunca me senti discriminado. E eu sei por que: nunca deixei que ninguém me discriminasse e nunca achei que alguém tivesse o direito de se achar melhor que eu.

Nasci numa família de classe média, mas meu pai é de origem pobre. A vida toda ele sabia que tinha que dar duro para poder chegar em algum lugar e foi isso que ele fez. Ascendeu na vida honestamente, teve seis filhos e nenhum de nós passou dificuldade alguma. Todos estudamos em bons colégios e hoje estamos trilhando nossos caminhos. Inteligente, ele jamais esperou que o Estado ou a culpa alheia lhe dessem qualquer coisa. Ele batalhou pelo seu espaço e o encontrou, mesmo sendo negro, pobre e comunista na época da Ditadura Militar. Que direito eu tenho de me vitimizar?

A única coisa que eu quero do Estado é que ele garanta que qualquer tipo de discriminação é crime, punindo quem sair da lei. No mais, não preciso da compaixão, simpatia ou culpa de ninguém. Parem de falar da cor da minha pele como se fosse um fardo a carregar. Eu, como individuo, venho antes da minha cor, sexualidade, tipo físico ou qualquer outra coisa. Como bem disse Oprah Winfrey, no fim dos anos 80, quando ela estava no início da sua carreira de sucesso:

“As pessoas acham que você tem que liderar um movimento de Direitos Civis todos os dias da sua vida, que você tem que ser porta-voz e representar a raça. Eu entendo o que eles querem dizer, mas eu não tenho que fazer isso, nem fazer o que os outros querem que eu faça. Negra é só a cor da minha pele. Eu sou negra. Eu sou mulher. Eu calço 40. Pra mim isso tudo é a mesma coisa.”

A melhor forma que qualquer um tem de representar o grupo ao qual pertence na sociedade é com esforço para ser alguém, para que o seu nome chegue antes da sua etiqueta, e não com ativismo barato de Facebook. Se meu cabelo é alisado ao invés de black power, se me chamam de Jimmy ao invés de Negão, e se eu namorar um branco, nada disso quer dizer que não me assumo como negro. Ser negro é algo que não é necessário assumir, porque está óbvio. Assim como ser alto. Aliás, detesto quando dizem o que eu posso ou não fazer por ser negro, porque isso é querer me colocar em um lugar onde as pessoas acham que eu deveria estar, não levando em conta em momento algum a minha vontade.

Então, para você que fala mal da sua amiga negra que alisou o cabelo, critica o jogador de futebol que casou com uma branca, botou pra foder na Miley Cyrus quando ela usou bailarinas negras no seu clipe e está me achando um babaca agora porque não penso igual a você, tudo o que eu tenho a dar, como todo o respeito, é isso:

banana

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