Jimmy

O que você faz?

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Parece uma pergunta boba, mas ela fica complicada quando você é um artista que quase ninguém conhece. Mais ainda se por causa disso você tiver outra profissão que te traga mais dinheiro e pague suas contas, fazendo todo mundo pensar que você só faz outras coisas por hobby.

Pisei pela primeira vez num palco em 2002. Até 2008 fiz várias peças amadoras sem ganhar nada, mas justamente naquele ano participei da Fliporto – que foi o meu primeiro trabalho remunerado como ator. Depois daquilo, aquela carreira que parecia já iniciada voltou a ser um sonho distante. Seis anos depois, foi preciso mudar de país e passar dois meses exclusivamente estudando atuação e só convivendo com atores para que eu pudesse sair do armário como ator.

Acho que era 2004 quando comecei a escrever, mas só passei a me dar o título de escritor quase uma década depois, quando lancei o meu primeiro livro. Jeff Goins, escritor e blogueiro americano cuja especialidade é escrever sobre escrever, diz que você precisa se dizer escritor e sentar na frente da tela branca todos os dias. Não adianta apenas ter boas ideias e reclamar que ninguém quer te publicar. Sente, escreva e diga para si e para os outros “Sou escritor”.

Mas nem sempre dá pra se assumir artista. O mundo só reconhece as celebridades, os indicados ao Oscar, os atores da Globo e os que chegam às paradas musicais ou às listas de best seller. O artista anônimo, às vezes, precisa viver no armário. Ninguém quer alugar um apartamento para um ator desconhecido, porque presumem que ele não terá dinheiro. Algumas empresas não querem dar emprego a um músico que ainda não emplacou, porque sabem que ele vai embora no dia em que explodir no Youtube. E existe a dúvida – será que ele vai se dedicar tanto a esse emprego quanto à carreira que ele realmente quer?

Deixo aqui meu recado aos empregadores: sim, talvez até mais do que quem se dedica somente ao emprego. Artista nenhum faz algo que não goste, por mais que precise do salário. Eu me considero uma pessoa de sorte, porque a profissão que me sustenta atualmente também é uma paixão. E se eu não gostasse tanto de ensinar Inglês, eu estaria provavelmente trabalhando numa livraria com um sorriso no rosto.

Mas é preciso ter cuidado. Às vezes, a profissão que deveria pagar suas contas acaba virando o centro da sua vida. No filme Flakes (2007), o protagonista Neal é confrontado pela namorada: ele era um músico que gerenciava uma lanchonete ou um gerente de lanchonete que gostava de tocar guitarra no fim de semana?

Por muito tempo fui um professor de Inglês que escrevia e sonhava em voltar a atuar. Agora sou ator, escritor e professor de Inglês. Parece só um jogo de palavras, mas é a decisão mais importante que já tomei.

E você, o que faz?

businessman wearing  paper bag

 

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