Jimmy

A revolução das telas

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Acordo com o barulho da obra do vizinho da frente. Dia desses ouvi alguém perguntar no grito, desde o térreo “O QUE VOCÊ ESTÁ CONSTRUINDO?” e ele respondeu mais alto ainda do terceiro andar “UM BANHEIRO”, enquanto eu tentava continuar dormindo. Que filho da puta, fazendo esse barulho todo de manhã. Pego o celular e vejo que já são 1 da tarde. Eu deveria agradecê-lo por ter me acordado a esta hora, porque tem gente que começa quebra-quebra às 8 da manhã e foda-se quem dorme tarde.

Checo todas as mensagens do meu Whatsapp. O celular também me diz que há notificações no Facebook, mas prefiro vê-las no iPad. Facebook é uma desgraça. Um chat, um texto e um vídeo e fico duas horas ali. Preciso comer, mas antes ligo a TV só para ouvir vozes enquanto cozinho.

Uma, duas, já foram três telas e eu mal acordei. A quarta tela da minha vida é a do laptop. Alguns anos atrás ela dividia espaço somente com a televisão. Hoje em dia eu posso estar vendo TV, escrevendo algo no computador, conversando no whatsapp e lendo um E-book no iPad, tudo ao mesmo tempo, e sei que não sou o único. A nossa concentração se pulverizou.

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Muita gente não aceita, mas eu amo viver em um mundo mudado pela multiplicação das telas. Não existe mais festa sem Instagram, amizade sem Facebook, grande evento sem Twitter e amor sem Whatsapp. Gosto desse mundo novo porque sinto que ele dá a todos nós a possibilidade de nos expressarmos do jeito que queremos, como realmente somos ou como gostaríamos de ser. As telas celebram a nossa existência. Podemos viver uma vida comum, sem aquela angustia que temos que deixar no mundo algo genial para não cairmos no esquecimento. Ainda bem, porque nem todos somos gênios. Mesmo assim temos o direito de brilhar nas telas por aí.

O que muitos ainda chamam de banalização da exposição da vida, eu chamo de igualdade. Nas aulas de História do futuro, com certeza dirão  “A revolução das telas fez com que qualquer pessoa se tornasse imortal”. Com um passado cheio de coisas que nos dão menos vergonha do que deveriam, como guerras e escravidão, sou feliz em fazer parte da geração humana que vai deixar a lembrança como herança.

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